sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"neste país lugar melhor não há"

Quando o Brasil faz gol na copa dá pra escutar as vibrações saindo pelas janelas de seus vizinhos. Todos pulando de alegria e gritando para todo mundo saber o ocorrido  (Tá, talvez meu exemplo funcione melhor hoje se eu falar de algum time que está em alta... mas enfim).

Em Brasília, essa mesma cena acontece quando a chuva resolve aparecer por aqui! Você escuta gritos eufóricos vindos debaixo do bloco, sai correndo pra janela e se torna um entre os vários sorrisos nas janelas dos blocos contemplando esse fenômeno estranho e raro.

Foi assim que a chuva se anunciou para mim hoje. Seguida de muitos raios, trovões e posts no facebook.

Mas como bom ser humano que sou... tenho que pensar que nem tudo são flores e que pra tudo existe motivos para reclamar, claro.

Anteontem eu fechei a janela de casa antes de sair e quando voltei estava aquele bafo de calor e nada de chuva. Ontem eu também fechei a janela de casa e quando voltei estava um cheiro de cenoura podre que demorou algumas horas para passar e... nada de chuva.

Hoje não... hoje esqueci de fechar a janela.

Chegando perto da Torre e vendo aquelas nuvens escurinhas, pensei "Ihh, será que é melhor passar em casa pra fechar a janela?". Noivo carioca descrente e certo de que dessa seca ele não passava disse "Que nada! Até parece! Deve ser fumaça de incêndio...". 

E o dia foi passando, o calor insuportável continuava, uma brisinha de chuva aparecendo, a janela aberta... falo pro meu pai "Será que vai chover?". Pai olhando para o céu sereno como ele "Será? Acho que não". Deito na cama da minha mãe pronta para assistir com ela a novela em seus emocionantes últimos capítulos e eis que a tão falada chega. "Putz! Deixei a janela aberta! Melhor voltar pra casa, né?", mas minha mãe aponta que a novela começou e diz "No jornal falou que ia só chuviscar".

O maior toró cai na metade da novela.

"Vai no intervalo, dá tempo de chegar...". "Será que está molhando muito, não deixei muito escancarada". CABRUUUUMMMM. "Vixi... deve estar molhando tudo!".

Desencanei, assisti a novela, fiz um lanchinho e tomei um vinho com a família. Desci e fui andando na chuva até o carro, olhei pra cima e nada como sentir aquelas gotinhas batendo no rosto (mesmo que fossem gotas ácidas de uma primeira chuva de setembro!)...

Entrei no carro e dei de cara com o panfleto, que estava há dois dias no pára-brisas, encharcado e grudado no vidro. Afinal, pra que levantar depois de já ter se acomodado no banco pra tirar o panfleto se não está chovendo, né?

Liguei o carro e estava tocando Eduardo e Mônica no rádio. Ah, Brasília...!

Chegando perto de casa a chuva aumentou tanto que o panfleto já tinha se desintegrado e me encharquei muito mais abrindo a janela pra abrir o portão do que naquela caminhada até o carro. Já estava me preparando para pegar o pano e secar metade da casa.

Finalmente... abro a porta de casa e ela está fresquinha e seca! A chuva só se engraçou com a cortina e nada mais...

E agora... estou aqui... escutando o barulhinho da chuva misturado com Legião Urbana, escrevendo e pensando o quanto amo essa cidade e que não vou morrer como uma uva passa.

(e só pra constar... terminei o texto e começou a tocar Faroeste Caboclo... Ah, Brasília...)

terça-feira, 29 de maio de 2012

moleco viajante


Me inscrevi em um projeto super inspirador, chamado Molecos Viajantes. A ideia é simples: cadernos reciclados que viajam por aí e têm suas páginas preenchidas por desenhos, textos, histórias das pessoas que os recebem em suas casas.

A visita do Moleco Viajante #1 à minha casita já está no final e agora ele parte para outro canto do Brasil. Mas estou certa de que essa boa experiência de ver arte se espalhando pelo mundo de uma forma tão sutil e criativa fica marcada no meu encanto pelas belezas simples do nosso cotidiano. E, claro, fica registrada aqui no blog!



"Estava super ansiosa pela chegada do Moleco Viajante em minha casa! E no dia em que ele chegou... era eu quem tinha partido em viagem... 

Quando finalmente nos encontramos e ele foi me contando de todas as suas visitas pelo Brasil desde 2010, TRAVEI! E AGORA?! O QUE EU TENHO PARA LHE CONTAR?! O QUE EU MOSTRO?! ONDE O LEVO?! 

Acho que esse mini pânico se deu pelo fato de que os meus cadernos sempre foram muito íntimos... pensamentos e desabafos de um momento, rascunhos e estudos de imagens ainda imaturas, compromissos e tarefas a serem realizadas... enfim... um anexo da minha cabeça!

Então... convido vocês ao meu mundo, a minha casa... SINTAM-SE À VONTADE!!! Compartilho com vocês minha paixão pela minha cidade querida, BRASÍLIA. Minhas cores e linhas tão parte do meu ser profissional e do meu eu por completo. E minha resposta à pergunta trazida por um amigo querido: "QUAL O IMPOSSÍVEL QUE VOCÊ QUER REALIZAR?". 

Qual é o seu? O meu...?! Estou vendo ele se realizar aos poucos... agora."


(clique nas imagens para visualizá-las em tamanho maior)








terça-feira, 27 de março de 2012

diário paulistano

Filha, neta, sobrinha, prima, amiga e sócia de paulistas e paulistanos. Não é à toa que a cidade de São Paulo está todos os anos em meu roteiro de viagem. 

Comer comida de vó (ou melhor, de batchan!). Pegar o metrô na estação Jabaquara, fazer baldeação na Ana Rosa e descer: na Consolação pra passear na Paulista, na Sé pra ir ao CCBB e à Caixa Cultural, na São Bento pra ir bater perna na 25, na Liberdade pra não me sentir tão ET enquanto ando na rua. Ir ao Centro Cultural São Paulo. Comer pizza. Gastar na Decathlon. Ir à Bienal. Passear no Ibirapuera. Descer pro Guarujá... enfim... São Paulo é São Paulo... e sempre teve seu encanto.

Mas, dessa vez, foi bastante diferente. Em 25 anos de idas à Sampa... foi a primeira vez que fui à trabalho.

(pausa dramática para respirar fundo)

Demorei um tempo para assimilar a estranheza de estar em São Paulo com horários a cumprir, lugares certos para se estar e tarefas a realizar. E, affff, que difícil, viu? Foi um exercício duro não olhar o relógio para tentar não me preocupar com o fato de que não chegaríamos no horário combinado. Foi estressante estar presa no trânsito escutando buzinas, reclamações sobre o fato de ser sempre assim e meu pensamento repetindo como um mantra "calma, uma hora a gente vai chegar". Foi cansativo demorar uma hora e meia para chegar no local do trabalho e depois mais um tanto de tempo (que nem valia a pena contar) para voltar pra casa e ainda não conseguir descansar a cabeça depois de um dia agitado porque o barulho de carros, ônibus, aviões, motos etc. não pára... Foi perturbador levar um susto no meio da noite com o choro desesperado de um rato que caiu na ratoeira que minha vó colocou no quintal da casa.

Sim, eu sempre soube que em São Paulo o trânsito é infernal, que minha alergia piora quando piso na cidade, que as pessoas parecem ter mais pressa, que o metrô lota... mas quando se está de férias e, consequentemente, você não faz parte dessa rotina louca, essas coisas não têm muita importância... elas não interferem tanto. Elas só parecem estereótipos desfilando ao seu redor.

Foram doze longos dias muito proveitosos profissionalmente, mas devo dizer que eu estava louca pra voltar para minha Brasília de curtas distâncias e menos pessoas. Precisava sair de lá, pois já estava começando a perder aquele encanto cultivado desde a infância por São Paulo. Achando tudo feio, tudo sujo, tudo barulhento, tudo babilônico demais para o meu bem viver.

E eis que estou a caminho do aeroporto de Guarulhos, mal-humorada porque tive que acordar às 5h30 pra não ter o risco de perder meu vôo que era às 8h25 (pois é...!), e São Paulo muito sorrateiramente pinta um lindo amanhecer em seu céu cinzento, como quem faz bico e diz "é mesmo verdade que você não gosta mais de mim...?".

pausa contempladora que, sem você perceber, te faz respirar fundo

Não, não é verdade. Eu ainda gosto de você, Sampa querida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

sintomas de cansaço

Fatos que te dizem o quanto você está cansada e precisando de uma pausa:


1. Você procura desesperada a chave do seu carro na sala de cinema do Cine Brasília em pleno Festival de Cinema e nada. Procura no restaurante onde comeu antes de ir ao Festival e nada. Volta desolada para o Cine Brasília para esperar a sessão (de um filme péssimo) acabar na esperança de encontrar a chave com a sala iluminada e sem 600 pessoas e... finalmente... se dá conta de que esqueceu a chave na ignição do carro! Chave encontrada e felizmente carro também encontrado no mesmo lugar!


2. Você sai do Cine Brasília para comer e beber alguma coisa, se sentindo burra por conta da chave, mas absolutamente feliz e aliviada pela sua burrice. Estaciona, tranca o carro, guarda a chave, senta no bar e vai ligar para sua amiga que está vindo te encontrar e... cadê o celular? Sim... no carro... esquecido lá...


3. Você resolve fazer tarefas mais mecânicas para não ter que pensar muito e vai varrer o chão do seu ateliê. Enquanto você está espirrando feito louca e tentando enxergar a poeira no piso cinza, você dá um jeito de enfiar a testa, com toda a força que você não tem, na quina da porta do banheiro! Uhuu... ganhou um galo na testa e de brinde inutilizou sua tarde para trabalhos pensantes já que a única coisa que martela em sua cabeça é a dor!


Com certeza outros fatos poderiam ser pontuados aqui, mas minha capacidade no momento de segurar um saquinho de gelo no meu galo, lembrar de qualquer coisa agora, escrever e sentir dor, tudo ao mesmo tempo, é quase nula!


Ai céus! Espero que eu sobreviva até a semana que vem!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

minhas casas

hoje é minha última noite em casa e estou meio perdida.

tudo parece estar nos mesmos lugares, nada de caixas e mais caixas... tudo que eu já guardei ou levei estava dentro dos armários ou gavetas que fechados disfarçam a mudança.


pensei em mil textos pra escrever no blog sobre essa mudança. pensei que não contei pra muita gente sobre a mudança. pensei em quem ficaria sabendo pelo meu blog. pensei em continuar empacotando as coisas. pensei em deitar e ver tv. pensei em tentar dormir e não pensar que hoje é a última noite morando aqui.


mas estou aqui pensando que hoje é a última noite morando aqui. que amanhã eu vou dizer oficialmente pra mim mesma que estou morando lá, que me mudei, que mudei. que amanhã vou abraçar minha mãe de um jeito diferente. que amanhã vou abraçar meu pai de um jeito diferente. que amanhã vou tentar imaginar, bem mais que hoje, o que está se passando pela cabeça e coração dos meus pais. que amanhã vou desistir de tentar entender o que está se passando pela minha cabeça e meu coração. que amanhã pode acabar sendo um dia como qualquer outro. que amanhã são muitos passos mais perto de "um dia desses".


e depois de ler e reler não sei quantas vezes o que escrevi nos parágrafos de cima, fico pensando que é isso que dá morar há 23 anos nessa mesma casa. isso que dá ter crescido com essa casa. não ter mudado nem ao menos de quarto durante toda minha vida. conviver cotidianamente com lembranças de uma vida toda espalhadas pela casa. saber que a história dessa casa é a história da minha vida, desde o começo. isso que dá ser mais que um pedaço da vida dessa casa. isso que dá essa casa ser mais que um pedaço da minha vida.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

feriado foi dia de...

... fazer nhoque!


Isso é que é dia da independência pra mim: eu, um desastre nas tarefas domésticas (ex.: esquecer o pudim - que eu fiz e, claro, deu errado - apodrecendo dentro da panela; "lavar" minhas roupas na máquina sem colocar sabão em pó e por aí vai...), euzinha mesma fiz nhoque!!!


Claro que tudo tinha que ter a supervisão e o incentivo de um adulto-responsável-namorado-paciente pra me ouvir chorando quando a massa estava muito mole, muito grudenta, muito sem sal, muito pronta pra dar tudo errado!


Sim! Nós fizemos a massa! Depois de cozinhar as batatas, descascá-las, transformá-las em um purezão, juntar com a gema do ovo e com farinha... começamos o amasso! Opa!... da massa, claro...! (hehehhe que piada infame! Desculpa, galera, não resisti! hihihi).


Amassa, amassa, amassa, mais farinha, amassa, larga a colher de pau e bota a mão na massa, amassa, amassa, mais farinha, amassa, mais farinha, mais farinha, mais farinha, amassa, desgruda a massa da mão e volta pra colher de pau, mais farinha, amassa, coloca sal, amassa, um pouquinho de noz moscada, amassa, mais um pouquinho de farinha e tcharans!!! Uma massa de nhoque feliz!!!



Depois foi enfarinhar a bancada pra fazer rolinhos e cortá-los e finalmente surgirem nhoques!!!



Mas não foi tão fácil assim... ai ai... os primeiros ficaram molengas e sem sal... então lá vamos nós com mais farinha, amassa, mais sal, amassa... e chegamos no ponto!


Próximos passos foram: preparar o molho, enrolar e cortar a massa, cozinhar o nhoque, colocar os nhoques cozidos numa travessa com azeite, colocar o molho por cima, colocar queijo ralado e levar ao forno. (Esses momentos foram privados de registro fotográfico e de quaisquer outros relatos mais elaborados, pois, considerando que eu só tinha comido um pacote - pequeno! - de doritos e já eram umas 5 da tarde, eu estava morrendo de fome e, consequentemente, absurdamente mau-humorada! Grrrrr!)


Ver o prato finalmente pronto (para o jantar! hehehe já eram 18h!) e bonito e sentir aquele cheiro me retomaram à vida merecendo até uma foto ainda um pouco mau-humorada...

O mau-humor e a fome passaram enquanto devorávamos nosso nhoque maravilhosamente delicioso!



Epa! Não se assustem tanto assim com a quantidade... estávamos em 5 pessoas! Tudo bem, tudo bem... sobrou um monte de nhoque ainda assim, mas nada que marmitas no dia seguinte não tenham resolvido!


Depois da bomba de salada-de-batata-oferecida-pela-minha-mãe + muito-nhoque-de-batata, o resultado só podia ser muito sono e 5 pessoas dormindo de barriga pra cima...! Delícia de feriado!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

outros (l)ares

Uma casa nova,

que não é minha,

que aos poucos se torna mais dele,

que é um pouco mais nossa.


Casa de amigos,

de artistas,

de meninos,

de quadrinhos.


De mais quartos, mais banheiros,

menos paredes brancas, menos varandas,

mais fumaça, isqueiro, cinzeiros,

o mesmo tanto de Samba.


Menos vagas para estacionar,

mais degraus para subir,

menos memórias, histórias, lembranças,

ainda algumas caixas da mudança.


Mais gente, mais conversas, mais risadas,

madrugada, TV, edredon, vinho, sofá,

menos medo ao ir embora,

mais perto pra voltar.


Mais vontade de ir pra lá,

boas-vindas, liberdade, sentir-se à vontade,

o mais clichê do "lar, doce lar".


Uma casa nova,

que não é minha,

que aos poucos se torna mais dele,

que é um pouco mais nossa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

seis meses depois

e mais uma vez...
coração pesado e dedão do pé direito enfaixado.

me pergunto se as feridas do meu coração e da minha unha quebrada estão diretamente relacionadas. só pode...


sexta-feira, 28 de maio de 2010

cansada

cansei dessa história de só visitar minha cidade

cansei do frio, calor, seco, umidade

cansei da minha pele rachando

..........do meu nariz derretendo

..........do meu pulmão reclamando

..........do meu pescoço doendo

cansei de ficar pelos ares

cansei de sentir saudades

cansei do meu coração apertando

..........da minha calma se remexendo

..........dos meus olhos vazando

..........da minha loucura crescendo

cansei de devolver livros que não li

cansei desse quarto nunca arrumado

cansei da minha mente surtando

..........dos meus pensamentos gemendo

..........dos meus sentimentos gritando

..........desse não saber o que está acontecendo

cansei desse não dormir

cansei desse corpo menstruado

cansei... deixa eu sair?

domingo, 9 de maio de 2010

primeiro (e quase último) dia na Venezuela

(pqp... foi mal começar assim o post... mas já estava quase terminando o post e o texto inteiro resolve desaparecer e minha cabeça já não está funcionando muito bem para reescrever tudo de novo)

Hora e meia de viagem de Brasília a São Paulo, algumas horas mais de espera no aeroporto, seis horas de viagem de São Paulo a Venezuela, e escuto:

Bienvenida a Venezuela, su passaporte por favor... hum... usted no puede entrar, tenes que regresar a tu país.

Quem dera eu ter pelo menos escutado o Bienvenida... o cara absurdamente (não) simpático não abriu se quer um sorriso... mas tudo bem... eram 4h da manhã e lá estava ele carimbando passaportes. Ele disse que eu só podia entrar se fossem seis meses antes do meu passaporte vencer (e só faltavam dois meses).

Mas...nada que uma cara de pobre menina coitada desinformada (que muito felizmente estava acompanhada dos pais, dando ainda mais pinta de menina boazinha) e um funcionário da TAM muito simpático contribuindo com a imagem de pobre menina coitada desinformada que só veio se divertir com a família não pudesse solucionar! Entrei no país, mesmo que a muito contragosto do carimbador de passaportes!

Depois disso, fomos em busca de passagens para nosso destino final: Isla Margarita! Andamos uns dez minutos até a área de vôos domésticos e eis que a cidade nos recebe tão bem, pintando o ceú, nos trazendo o sol e fazendo os passarinhos cantarem para nós (egocentrismos a parte, foi lindo!)

(ihh galera... agora a bateria do laptop tá acabando... tudo pro post não sair hoje estão vendo... amanhã continuo a saga!)